Hoje, a Coopemiga conta com 1.800 cooperados, cerca de 30% são mulheres.
A atividade garimpeira sempre esteve ligada à figura masculina, pois é um trabalho árduo e que exige bastante esforço físico. Entretanto, é cada vez mais comum a presença de mulheres dividindo o mesmo espaço com os homens no ambiente do garimpo.
Na Cooperativa de Mineradores e Garimpeiros da Região de Aripuanã (Coopemiga), localizada no interior de Mato Grosso, o cenário não é diferente. Com 1.800 cooperados, a cooperativa conta hoje com cerca de 30% de mulheres desenvolvendo várias funções, desde a extração até a comercialização do minério.
“Hoje, a mulher tem bastante espaço na cooperativa. A sensibilidade e a dedicação que elas desenvolvem suas atividades, além da experiência que já adquiriram na mineração, tem sido muito útil no trabalho desenvolvido pela Coopemiga”, conta o presidente da Cooperativa, Antônio Vieira da Silva.
A cooperada Andreia Rodrigues dos Santos, 42 anos, trabalha na extração do ouro desde 2016, quando foi para a Guiana Francesa e Suriname desenvolver atividades no garimpo. Em 2019, se mudou para Aripuanã para trabalhar no garimpo da Serra, quando o garimpo no local ainda não estava legalizado.
“Foram muitas batalhas, passamos por muitas dificuldades. Nós tínhamos medo da polícia, de perder nossas coisas. Comecei como cozinheira e depois abri um bar, trabalhava no meu negócio e também no garimpo. Há alguns meses, eu e meu marido abrimos nosso próprio negócio dentro da vila garimpeira, que é uma petiscaria”.
Segundo ela, a criação da cooperativa foi um marco para os garimpeiros. “A Coopemiga foi uma bênção na minha vida. Depois de muita luta, sou agradecida por tudo o que conquistei”, afirma Andreia, que tem quatro filhos que vivem com seus pais no estado de Tocantins. “Eu trabalho aqui no garimpo para ajudar minha família”.
A indígena Sebastiana Maria dos Santos, conhecida por todos do garimpo como Tiana, conta que não nunca imaginou trabalhar em um garimpo. “Depois que perdi minha filha e neto no parto, saí da aldeia e me mudei com meu marido e outro neto para a cidade, pois a tristeza era muito grande. Não me imaginava trabalhando no garimpo, mas Deus tocou meu coração e acabei indo para a serra”.
Ela conta que antes da legalização da cooperativa, tudo era muito difícil. “Passamos fome, foi uma verdadeira luta, mas seguimos em frente. E desde o início, nós, mulheres sempre desenvolvemos as mesmas atividades que os homens. Quando decidimos nos unir para tentar legalizar o garimpo, muitas mulheres participaram. Hoje, graças a Deus e à Coopemiga, consegui comprar a minha casinha, pago minhas contas e acredito que o futuro será ainda melhor”, diz esperançosa.
Outra história de luta é da garimpeira Franciele Arruda dos Santos, 35 anos, que além de atuar como “moinzeira” - profissional que mói as pedras para a extração do ouro - , também trabalha como soldadora e pintora. “Tem muito trabalho para ser feito e eu me dedico ao máximo porque sonho em dar uma vida melhor para os meus três filhos”.
Recentemente, o presidente da Coopemiga, se reuniu com um grupo de mulheres do garimpo para tratar de assuntos de interesse da entidade. “Queremos contar com esse apoio nas ações de administração e coordenação porque elas fazem diferença nas atividades. Com certeza, temos muito a ganhar com a força e a representatividade das mulheres da nossa cooperativa”, garantiu ele.
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